Quatro avenidas de Campinas registram 17% das mortes no trânsito entre 2023 e 2025

De acordo com mapeamento da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), quatro avenidas de Campinas concentraram 17% dos 212 óbitos em vias urbanas ocorridos entre 2023 e 2025: John Boyd Dunlop, Comendador Aladino Selmi, Ruy Rodriguez e Prestes Maia. Foram 36 vidas perdidas no período.

De acordo com mapeamento da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), quatro avenidas de Campinas concentraram 17% dos 212 óbitos em vias urbanas ocorridos entre 2023 e 2025: John Boyd Dunlop, Comendador Aladino Selmi, Ruy Rodriguez e Prestes Maia. Foram 36 vidas perdidas no período.

O levantamento também aponta que 48% dos 50 pontos críticos que registram mais acidentes (sinistros), e de maior gravidade, estão concentrados em três corredores urbanos, nos eixos das avenidas John Boyd Dunlop, Prestes Maia e Ruy Rodriguez.

Apesar do cenário, balanço preliminar indica redução dos índices de óbitos nestas vias neste ano. Até agosto, foram duas vidas perdidas na av. JBD, uma na Ruy Rodriguez, uma na Prestes Maia e nenhuma vítima fatal na Aladino Selmi.

Os dados estão demonstrados no Relatório Anual de Sinistralidade no Trânsito 2025, publicação técnica da Emdec, em parceria com a Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, que traz análises detalhadas sobre as vidas perdidas no trânsito campineiro.

“O monitoramento de pontos críticos é a base do planejamento que fazemos para reduzir os riscos de mais mortes. Quando há uma concentração de pontos críticos em um mesmo corredor, a estratégia da Emdec é promover ações integradas. As avenidas John Boyd Dunlop e Ruy Rodriguez, por exemplo, receberam intervenções viárias em diversos pontos, tiveram a fiscalização por radares ampliada e são palco recorrente das blitze integradas e ações educativas”, destaca o presidente da Emdec, Vinicius Riverete.

Confira o detalhamento dos dados

  • 48% dos 50 pontos distribuídos nas avenidas:

15 pontos (30%) na John Boyd Dunlop.
5 pontos (10%) na Prestes Maia.
4 pontos (8%) na Ruy Rodriguez.

  • 13% dos óbitos no trânsito registrados entre 2023 e 2026 estão nas avenidas:

17 óbitos (8%) na John Boyd Dunlop.
6 óbitos (2,8%) na Ruy Rodriguez.
5 óbitos (2,4%) na Prestes Maia.

A presença das quatro avenidas no ranking também é justificada porque as vias servem de ligação entre as regiões estratégicas da cidade. Estão entre as mais extensas de Campinas e entre as que mais registram fluxo veicular:

Av. John Boyd Dunlop: 60 mil veículos por dia e 15 km de extensão por sentido.
Av. Ruy Rodriguez: 47 mil veículos por dia e 7 km de extensão por sentido.
Av. Prestes Maia: 104 mil veículos por dia e 2 km de extensão por sentido.
Av. Aladino Selmi: 30 mil veículos por dia e 4,6 km de extensão por sentido.

Fiscalização eletrônica ampliada e intervenções viárias miram em mais segurança

As três avenidas mais presentes entre os pontos críticos são também objeto de medidas integradas de segurança viária promovidas pela Emdec. Confira as principais:

Controle de velocidade e avanço semafórico - Entre os 154 pontos de radares ativos, 30 equipamentos estão na avenida JBD e nas marginais e 17 na Ruy Rodriguez e avenida Camucim. Destes, quatro foram ativados na JBD e cinco na Ruy Rodriguez, entre agosto e setembro deste ano. Na Prestes Maia e na Aladino Selmi, são outros sete equipamentos ativos. A presença dos radares inibe os excessos de velocidade, avanço de sinal vermelho e parada sobre a faixa.

Obras viárias - O ponto mais crítico da avenida JBD recebeu, em 2023, diversas intervenções que resultaram na redução das velocidades nas esquinas, redução do risco de colisão nas conversões e encurtamento das travessias de pedestres. Na Prestes Maia, a redução dos gargalos de trânsito é objeto de duas obras em andamento, a ampliação da alça da Benedicto Campos e das pistas da ponte sobre o córrego Piçarrão.

Operações integradas de fiscalização -  Foram 175 blitze neste ano e 6,3 mil condutas de risco identificadas, grande parte delas em pontos críticos.

Abordagens educativas em pontos críticos e campanhas de segurança viária são direcionadas para orientar pedestres e condutores sobre comportamentos seguros. Entre os eixos que mais recebem as orientações estão a JBD e a Ruy Rodriguez.

JBD tem 69% menos mortes em cinco anos

Apesar de liderar os óbitos, com 8% do total nos últimos três anos, a JBD vem se transformando em uma rota cada vez mais segura. Na série histórica de cinco anos, as mortes caíram 69% na avenida, passando de 13 óbitos em 2021 para quatro em 2025 – nove vidas salvas. Na comparação entre os anos de 2024 e 2025, foram três vidas salvas na JBD e 43% menos mortes na avenida. Foram sete óbitos na avenida JBD em 2024 e quatro em 2025.

O cruzamento da avenida JBD com a Mário Scolari, que vinha se mantendo no primeiro lugar entre os 50 pontos críticos de Campinas, caiu para a oitava posição no ranking que considera o período de 2023 a julho de 2026.

Como são classificados os pontos críticos?

Para chegar ao ranking dos 50 pontos críticos para acidentes (sinistros), a Emdec utiliza como métrica a Unidade Padrão de Severidade (UPS), metodologia estabelecida pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). No cálculo do indicador, os sinistros mais graves recebem pesos maiores e, pela recorrência, acendem o sinal de alerta em determinado ponto.