Segunda-Feira, 19 de Fevereiro de 2018

13/9/2016 - Campinas - SP

Marcas do Mestre Paulo Freire são relembradas em seminário




da assessoria de imprensa 

A apresentação de um vídeo da professora Nita Freire, viúva do educador Paulo Freire, marcou a abertura do XIV Seminário Internacional Paulo Freire no Centro de Convenções da Unicamp na manhã de segunda-feira, (12). Nesta edição o evento procura discutir as “Marcas do Mestre” e a experiência do educador em sua passagem pela Unicamp, na década de 1980. “Paulo foi convidado a dar aulas na Unicamp até antes de voltar do exílio, mas não tinha sequer passaporte, pois seu documento havia sido cassado. Com a anistia ele conseguiu o documento, porém o Governador do Estado, na época Paulo Maluf, não permitiu sua contratação. Por pressão dos alunos e dos professores, posteriormente houve a contratação”, relembra.

Nita recordou sobre o período em que Unicamp sofreu intervenção do Governo do Estado de São Paulo, em 1981. Paulo Freire fez parte da lista de reitoráveis que seria submetida à comunidade universitária. A história completa foi contada no livro O Mandarim, do jornalista Eustáquio Gomes, publicado em capítulos pelo Jornal da Unicamp (veja). No depoimento, a viúva do educador ainda falou sobre recente adulteração na biografia de Paulo Freire feita no siteWikipedia. “O texto afirmava que Paulo copiava Marx e Engels e não tinha ideias próprias, que fazia apenas doutrinação marxista. É falar daquilo que não se conhece”, afirmou. O texto da enciclopédia digital já foi corrigido, segundo informou a educadora, depois de ter procurado a Presidência da República.

Nita aproveitou para falar sobre a importância da obra do ex-companheiro no momento político que o Brasil está vivendo, criticando os projetos de leis que tem como base o movimento “Escola sem partido”. “Eles atacam a concepção de Paulo de que a educação é política e que dentro da escola se dá a formação do cidadão. Para participar no destino de seu país o aluno tem que saber o que está acontecendo nos quadros políticos que devem sim ser de batidos na escola, os autores, não só os de direita, mas os de esquerda devem ser discutidos pelos seus professores com seus alunos. A expressão livre do professor em sala de aula não pode ser amordaçada”.

O Seminário este ano faz parte do quadro de comemorações dos cinquenta anos da Unicamp. “Paulo Freire foi uma personalidade fundamental na história da universidade” afirmou Francisco Genézio Lima de Mesquita, coordenador do evento. A conferência de abertura foi feita pelo professor Gabriel Santiago, que falou sobre o livro O caminho se faz caminhando. Genézio informou que esta edição conta ainda com a participação, na plateia, de alunos do Centro Paula Souza de Monte Mor e de outras escolas públicas.“Paulo Freire não é só na academia, é também no movimento social, popular e principalmente no ensino Médio e Fundamental”, ressaltou.

Fizeram parte da mesa de abertura do seminário o coordenador-geral da Unicamp, professor Alvaro Crósta; a professora Itala Maria Loffredo D’Ottaviano, coordenadora das comemorações do cinquentenário da Unicamp e o assessor da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Preac) Sandro Tonso, além de representantes da Diretoria Regional de Ensino e Secretaria Municipal de Ensino, do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), Faculdade de Educação (FE) e Instituto Paulo Freire.

“Alem de falar de Paulo Freire nós estamos tratando aqui de educação, um dos mais fundamentais dos nossos direitos sociais. Faço o destaque porque esse é um momento que nós devemos refletir sobre os rumos da educação, principalmente da educação pública no país”, ponderou o professor Crósta. Segundo ele, “acontecimentos recentes nos levam a esta reflexão e a percepção de que podemos estar presenciando uma política de grande retrocesso às conquistas que temos obtido na educação pública brasileira”, afirmou em concordância com a viúva de Paulo Freire. “Acho que a reação da universidade como local de reflexão e de formação de pessoas é muito importante e ela está acontecendo aqui na Unicamp e em muitas outras universidades brasileiras”, observou.

O coordenador geral também falou sobre a passagem do educador pela Unicamp. “Nós tivemos a imensa honra de tê-lo, ainda que por um breve período, como docente, e nesse período Paulo Freire deixou marcas profundas. Ele formou pessoas e deixou a sua visão de universidade”.

A professora Debora Mazza, diretora associada da Faculdade de Educação, apresentou, ainda na abertura, documentos relativos à época, entre eles pareceres de professores que foram solicitados como exigência burocrática para a admissão de Paulo Freire como professor titular da Faculdade de Educação, em 1985.

Um dos pareceristas era Rubem Alves que, após alguns parágrafos dispensados a questionar sobre o quanto Paulo Freire já era admirado no mundo, termina da seguinte forma o documento: “...o meu parecer é uma recusa em dar um parecer. E nesta recusa vai, de forma implícita e explícita, o espanto de que eu devesse acrescentar o meu nome ao do Paulo Freire. Como se, sem o meu, ele não se sustentasse. Mas ele se sustenta sozinho. Paulo Freire atingiu o ponto máximo que um educador pode atingir. A questão não é se desejamos tê-lo conosco. A questão é se ele deseja trabalhar ao nosso lado. É bom dizer aos amigos: "- Paulo Freire é meu colega. Temos salas no mesmo corredor da Faculdade de Educação da UNICAMP..." O documento completo pode ser acessado aqui.



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